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          Ao decidirmos escrever esta obra, tivemos, entre outras, como pretensão, registrar e difundir as idéias que sempre, fervorosamente, defendemos, para o conhecimento de todos os homens, tanto da nossa como das gerações futuras, de sorte que elas não se dissipassem na fumaça do tempo. É como se fizéssemos um seguro que nos garantisse a sua propagação, poupando-nos, quando na eternidade, do constrangimento que advém do desvio de uma programação existencial, da falência de uma missão, pelo simples fato de havermos, por preguiça ou egoísmo, preferido nos tornar uma represa de conhecimentos, em prejuízo do progresso humano, que   o   altruísmo   impulsiona,   quando,    cumprindo,

 

desinteressadamente, o desiderato de servir à sociedade, nos tornamos “a luz do mundo”.

          Decididamente, não somos capazes de conviver com as injustiças. Elas nos sufocam, nos incomodam, e quando delas nos aproximamos, sentimo-nos como se estivéssemos acometidos de um profundo e insuportável mal-estar. Seria para nós, deveras frustrante, se viéssemos a partir desta existência, sem que tivéssemos deixado uma contribuição, por mais modesta que fosse, objetivando o extermínio desse grande mal.

          Em relação a este trabalho, ao qual nos dedicamos intensamente, por longos anos de meditação, questionamentos, discussões e experiências práticas, ora de forma consciente, ora de forma inconsciente, sentimo-nos, neste mundo, como que designados, exclusivamente, para realizá-lo. E esta sensação é tão forte que, a cada dia que passa, apesar do grande amor devotado aos nossos entes mais queridos, estamos cada vez mais nos sentindo dispensados das obrigações de pai, esposo etc., sem qualquer sentimento de perda, como se algo extraordinário viesse, passo a passo, preenchendo em nosso coração e mente, aquele espaço, antes exclusivo e reservado só para eles, liberando-nos para que pudéssemos nos dedicar inteiramente à defesa desta causa.

          Confessamos e pedimos desculpas aos leitores, pelas limitações, que em dados momentos nos fizeram sucumbir ante o entusiasmo que abriu e cedeu espaços para os incontáveis ataques naturais da emoção. Receamos até que, nessas horas, tenhamos sido demasiados veementes no embate ideológico, transparecendo a possibilidade de ressentimentos que, em nós, jamais existiram ou existirão.

          Esclarecemos que, o nosso ardente desejo, desde o início, foi tão-somente, deixar como legado para a posteridade, a árvore da Democracia, cujo cultivo, hoje, percebemos não ser tarefa para um homem apenas, mas para toda uma Sociedade. O fato de não havermos realizado o sonho por inteiro, não nos deixa frustrados, antes deveras realizados, pois, se o legado que sonhamos deixar, não chegou a ser a árvore inteira, contenta-nos a certeza de que o nosso esforço não foi e nem será em vão, haja vista dele termos colhido como resultado, a Semente pronta para germinar, no terreno fértil da mente e do coração do povo.

          O Mestre nos falou: “Não vim trazer a paz, mas a espada”. Entendemos a “espada” como a “idéia” que divide, que separa, que nos encoraja à busca da Paz. E, com certeza, se Ele não nos trouxe a paz, foi para nos conceder o prazeroso mérito de conquistá-la com o nosso esforço e trabalho.

          Com Semente de Democracia, ousamos interpretar a idéia do Mestre, que, ao nosso ver, pretende, num primeiro momento, através da implementação dos novos Modelos Econômico e Político, atender plenamente às necessidades Fisiológicas e de Segurança da humanidade, para, num segundo momento, redirecionar o seu esforço rumo à busca do atendimento das necessidades mais nobres de Auto-Estima e Auto- Realização.

        Somente assim acreditamos seja possível a conquista da Paz, da mais plena Liberdade e da mais absoluta Justiça, para vivermos num mundo onde não existam opressores nem oprimidos.

          Este, primordialmente, com esta obra, é o nosso propósito final.

 

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